Como o planejamento da sucessão familiar pode prevenir conflitos

Uma pesquisa recente da PwC junto a centenas de famílias empresárias revelou que em 44% delas há conflitos entre os familiares sobre a definição da estratégia dos negócios; em 36% delas há conflitos sobre o desempenho de membros da família envolvidos nos negócios; em 26% delas há conflitos sobre o papel que os agregados da família devem ou não ter nos negócios.

Essas estatísticas demonstram a conhecida dificuldade das famílias em manterem e conduzirem seus negócios comuns sem brigar. Em boa parte isso ocorre em razão de os sócios familiares não terem tido a oportunidade de se escolherem e em razão de que não tiveram a adequada preparação para assumirem em conjunto os negócios familiares.

Mas como o planejamento da sucessão pode evitar e prevenir esses conflitos? De várias formas mas essencialmente listamos 3 delas:

 

  1. Antecipando conflitos e estabelecendo regras: existem conflitos típicos de empresas familiares, como a possibilidade de os agregados (noras, genros e cunhados, por exemplo) poderem ou não participar do negócio. O planejamento da sucessão viabiliza que essa possibilidade seja regrada antes de um conflito existir, as vezes antes mesmo de os genros, noras e cunhados existirem na família, e com isso é possível estabelecer uma regra prévia que atenda o interesse de todos.

 

  1. Permitindo a mediação dos pais: muitos conflitos por bens ou forma de conduzir os negócios ocorrem pela falta de oportunidade de os mais velhos, em geral os pais, darem sua opinião, mediar uma discussão ou legitimarem uma determinada prática ou liderança. Esse papel importantíssimo só pode ser exercido por quem detém poder e legitimidade perante os demais, e sem o planejamento da sucessão acaba se perdendo uma valiosa oportunidade de exercê-lo.

 

  1. Corrigindo distorções e formalizando negócios: nas empresas familiares é muito comum pais comprarem bens “em nome dos filhos” ou remunerarem familiares de maneira informal ou indireta. Na atividade rural, por exemplo, com frequência os filhos são postos como parceiros dos pais na atividade para que seu nome seja usado para tomada de financiamento, sem perceber com isso que os filhos acabam se tornando sócios proprietários de parte de investimentos relevantes realizados. Para prevenir conflitos é importante formalizar tais situações e regrar as coisas de modo a evitar distorções.

Como mostra a pesquisa, a maioria das famílias detentoras de empresas ou patrimônios acabam brigando justamente em razão de algo que deveria lhes servir como uma facilidade. Ocorre que em geral nenhuma delas faz nada para mudar essa realidade. Quem quer fugir das estatísticas negativas, deve se movimentar preventivamente.

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